Independente da maneira você leu essa frase, é quase certo que você a recebeu como um soco forte no estômago — de tirar o fôlego. Não é difícil entender o porquê: nós (especialmente os brasileiros) não gostamos de ouvir coisas negativas ao nosso respeito. Em geral detestamos ouvir críticas, mas não estou falando sobre supostas imperfeições físicas, senão sobre a verdadeira: a que é interior.

Antes de qualquer coisa, você pode guardar suas tochas e forcados — não precisa me perseguir — porque, acredite se quiser, a imperfeição é um dos principais aspectos da realidade humana atual. Você não é mais imperfeito do que eu, ou menos do que algum líder religioso. Contudo, pela graça, não que sejamos perfeitos, mas podemos prosseguir para alcançar essa perfeição em Cristo somente (Fp. 3:12).

A graça impedirá que tenhamos recaídas

Através desse presente imerecido Deus enxerga através da nossa grossa crosta de imperfeição nos vendo como os seres perfeitos que nos tornaremos futuramente. Muitos não têm a mínima noção dessa realidade caída, entretanto, a partir do momento que reconhecemos nossa natureza, a luz de Deus invade nosso interior. E com isso começamos a perceber quem realmente somos através das lentes divinas. O reconhecimento abre a porta para a luz; a luz ilumina o caminho ao arrependimento; o arrependimento abre espaço para a graça; a graça revela o perdão, o qual, por sua vez, traz a salvação pela fé.

Porém, algo que devemos ficar bem atentos é que a graça não nos torna “à prova de pecado”. Não, mas nos capacita a posicionarmos contra ele. Portanto, esse presente imerecido que recebemos não impedirá que tenhamos recaídas ou nos deparemos novamente com as questões imaturas. Aquelas que achávamos terem sido resolvidas. Ficaremos frente a frente com nossas falhas diversas vezes durante nossa jornada aqui, e elas podem parecer mais feias algumas vezes, porém foi por cada uma dessas falhas que Jesus morreu.

Algumas vezes eu me enxergo como a casa bagunçada de um universitário.  Que nos horários livres ou está estudando para as provas de final de semestre. Ou então trabalhando como freelancer sem poder dar um tempo para descansar. Bagunça. É tanta coisa que eu encontro dentro de mim que ainda precisa ser arrumada (minhas vergonhas, falhas, erros, pecados, etc.), que pareço uma casa sem solução. De repente a campainha toca: É Jesus; e eu não quero abrir, porque a casa está um caos, mas ele percebe no meu olhar que estou desesperado.

Ele entra.

Ele não quer só as partes bonitas em mim, mas tudo de mim

Quem Ele encontra não é aquele cristão arrumadinho que todos viam como exemplo a ser seguido na igreja. Com certeza não. Muito menos o aluno perfeito que costuma caminhar pela faculdade com as melhores notas. Porém, não há surpresa no rosto dele, senão um sorriso.
Graça.

Eu digo que não mereço ser amado por Ele enquanto eu estiver assim. Ele entra na minha bagunça, e eu entendo: ele não quer só as partes bonitas em mim, mas tudo de mim, e é por isso que ele não me abandona na minha indignidade.

Hoje, eu reafirmo as palavras que Paulo disse em Filipenses 3:12; eu definitivamente não me chamaria de perfeito, porém, com toda certeza, eu diria que estou à caminho da perfeição pela graça conquistada na cruz.

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